segunda-feira, 22 de julho de 2013

Personalidades: Alfredo Wagner Júnior (Duca)

Por Wendalina Cunha
Data de nascimento: 28 de janeiro de 1901
Data de falecimento: 27 de agosto de 1977

Desde a infância com as brincadeiras e brinquedos feitos por ele mesmo (boi de sabugo de milho), seu futuro como pecuarista em Maracujá já era vislumbrado, em relação a isso uma das suas maiores preocupações era com os leões que matavam sua criação.
Aos oito anos iniciou sua vida escolar que teve duração de apenas quatro meses, pois seu pai Alfredo Henrique Wagner chamou-o para trabalhar como "madrinheiro", profissão essencialmente infantil onde uma criança montada em um cavalo (chamado de cavalo madrinha) seguia à frente da manada destinada à venda. Seguindo as instruções de seu pai desempenhou muito bem esta atividade até sua adolescência. Quando iniciou viagens de carroça para Florianópolis levava a madeira da madeireira de seu pai em Lomba Alta e trazia do litoral produtos beneficiados como café, sal e açúcar; produtos estes escassos aqui na época.
Com o tempo abriu um armazém na Lomba Alta e lá revendia tudo o que trazia, mas como nem sempre tinha madeira para levar mobilizou a comunidade local para produzir produtos coloniais e os vendia no litoral. Assim surgiu a oportunidade de ter um box na feira de Florianópolis e lá nas quartas-feiras negociava os produtos que levava e comprava os que precisava trazer.
Casou com Lidia Beling e teve sete filhos: Maria Vilma, Vali, Clélia, Julia Antonieta, Américo, Alfredo e Antonio Carlos. Nesta época iniciou sua vida política candidatando-se a vereador em Bom Retiro (Alfredo Wagner ainda não era emancipado) e perdeu a disputa; porém quando Alfredo Wagner tornou-se município candidatou-se a prefeito concorrendo contra Rogério Pedro Kretzer (UDN) e venceu, sendo reconhecido como primeiro prefeito eleito ( 1963-1969).
Seu partido era PSD e foi apoiado pelo pai e pelas irmãs, mas o irmão mais velho, Olíbio Wagner (tio Lili) e os demais irmãos eram da UDN, isso ocasionou desavenças graves na família.
Ficou conhecido como um homem empreendedor e de iniciativa para ajudar seus amigos, pois costumava com frequência ser avalista junto ao banco para que estes conseguissem adquirir terras para morar e dedicar-se a agricultura.

Informações transmitidas por:
Maria Wagner da Cunha
Rogério Antônio da Cunha

Correções: Ana Paula Kretzer

Personalidades: Alfredo Henrique Wagner


Por Eneida Paes Lima
Juliano Wagner
Carol Pereira

Data de Nascimento: 28 de novembro de 1871
Data de Falecimento: 20 de outubro de 1952

Alfredo Henrique Wagner nasceu no Sertão do Maruim, em 28 de novembro de 1871. Filho de Henrique Cristiano Wagner e de Maria Caetana Wagner ficou órfão aos cinco anos de idade. Criado por seus padrinhos e tios Manoel Estefano Koerich e Catarina Wagner Koerich, perto da ponte do Rio Maruim, município de São José e posteriormente em Garopaba. Alfredo frequentou a escola em Garopaba, revelando-se desde muito jovem um excelente aluno. Ao completar 18 anos, saiu da casa dos tios.
Certo dia, cuidando da venda de seus tios, enquanto tomava um delicioso café, avistou no outro lado da rua, na janela, uma moça, que por motivos políticos, Alfredo era proibido de namorar. Seus tios perceberam as trocas de olhares e, enfurecidos, retornaram à venda e avisaram Alfredo que após o café iriam conversar. Alfredo levou uma grande surra dos dois tios. Era o ano da proclamação da república. Os tios de Alfredo e os pais da moça eram grandes rivais políticos. Perante esta terrível atitude Alfredo fugiu de Garopaba e retornou a pé até Sertão do Maruim percorrendo exaustivos 96 km, passando por Paulo Lopes, Enseada de Brito e São José.
Era domingo quando chegou em São Pedro de Alcântara. Foi à domingueira na igreja Matriz da cidade e ali viu Júlia Freiberger - filha dos alemães: Peter Freiberger e Felisbina Schmitte - e a convidou para dançar. Neste dia iniciou-se um romance e nunca mais se separaram. 
Sua tia Catarina foi a São Pedro e tentou trazê-lo de volta. Alfredo, ressentido, recusou veementemente retornar à cada dos tios. Foi em São Pedro de Alcântara que Alfredo aprendeu a profissão de sapateiro.
Em 1892, aos 21 anos, caminhou 94 km até Santa Tereza (Catuíra), antiga sede da Colônia Militar, levando apenas 400 réis e uma gaiola com um Sabiá Preto.
Na colônia trabalhou como sapateiro, seleiro, agricultor, pecuarista e escrivão do posto fiscal. Já em 1895, com 24 anos, depois de dois anos de árdua luta, retornou a São Pedro de Alcântara para buscar sua amada Julia já que havia conseguido condições financeiras para realizar seu tão sonhado matrimônio.
Sete de seus onze filhos nasceram em Catuíra.
Com a mudança do traçado da rodovia Lages/Florianópolis para a vila do Barracão, ocorrido em 1904, passando pela margem esquerda do Rio Águas Frias, Alfredo decidiu transferir seus negócios e sua residência para Lomba Alta. Alfredo Henrique Wagner, juntamente com Jakob Schweitzer, seu concunhado, e Guilherme Althoff, foram os fundadores de Lomba Alta - atualmente, lá se encontra o Museu de Arqueologia da cidade. Lá, ampliou seus negócios passando a trabalhar também como apicultor e madeireiro; fazia também o transporte de mercadorias entre a Serra e o Litoral em lombo de mula.
Desempenhou também copioso espírito altruísta e comunitário, tornando-se líder exemplar na região. Como capelão, viabilizou a construção de igreja e escola para a vila, doando área de terra além de objetos sacros. Foi um incansável trabalhador dedicando-se até os últimos anos de vida ao progresso no município que hoje leva seu nome.
Dona Júlia tinha um grande coração: abrigava e amparava todos os que viessem em sua casa, proferindo-lhes valiosos dizeres e ensinamentos sobre a fé em Deus. Quando seus netos iam visita-los, não os deixavam sair sem rezar. E sempre dava um chimiado (pão com mel e chimia), broa, ou algum doce.  
Cada filho homem de Alfredo, ao completar 21 anos, recebia uma carroça com cinco animais emparelhados.
Alfredo Wagner era muito popular e bondoso, não distinguia rico do pobre, sempre recebia as pessoas muito bem e com cortesia. O casal recebia em sua mesa desde bispos, padres, juiz de direito até pessoas necessitadas e mendigos.
Alfredo Henrique era firme em suas ideias e propósitos e exigia seriedade, honra e justiça de seus familiares e de seus contemporâneos. Faleceu com 81 anos em 20 de outubro de 1952.
Em 21 de dezembro de 1961, o antigo distrito de Barracão torna-se cidade e passa a se chamar Alfredo Wagner, homenageando assim esse digníssimo homem que sempre lutou pela prosperidade de nossa terra! 

Filhos de Alfredo Wagner:
Otilio Leandro Wagner
Alfredo Wagner Junior (Duca)
Tobias Isidoro Wagner
José Maria Wagner (Zezé)
Celso Marino Wagner
Ernesto Wagner
Petronilha Wagner
Alvina Wagner
Vergulina Joaquina Wagner
Rosa Emília Wagner
Maria Julia Wagner

Informações transmitidas ao longo dos anos por:
Juliano Wagner
Eneida Paes Lima
Ivone Iung Paes Lima
Alvina Wagner (in memorian) 
Altair Wagner

Correções: Ana Paula Kretzer

Personalidades: Evaldo Jung


Por Quirino Iung
Data de Nascimento: 24 de outubro de 1900 – Rancho Queimado
Data de Falecimento: 25 de Fevereiro de 1968 – Alfredo Wagner

Evaldo Jung nasceu na Colônia Alemã de Rancho Queimado em 24 de outubro de 1900. Filho de imigrantes Alemães – Jocob Jung e Catarina Guchert - estudou na mesma localidade que nasceu em uma escola que ensinava somente o Alemão e era mantida pelo imperador da Alemanha Kaiser Guilherme II. O professor vinha da Alemanha pago pelo imperador e o idioma falado e escrito era somente o Alemão. Na instituição de ensino existia a foto do Imperador da Alemanha e de toda a família real; isso até 1918. Após esta data o governo brasileiro proibiu o ensino da língua germânica e adotou o ensino obrigatório de somente uma língua nas escolas: o português.
A religião era luterana e o pastor também vinha da Alemanha pago pelo imperador. Ele percorria as comunidades a cavalo – pregava o evangelho, batizava e fazia a confirmação tudo em língua alemã. Á paróquia pertencia a Santa Isabel.
Imperador e Família Real
A profissão de Jacob (jacó) era sapateiro, passando a mesma ao filho Evaldo, que já hábil foi trabalhar em São Paulo: lá participou da festividade do centenário da Independência – 22-09-1922. Após 3 anos retornou a Rancho Queimado e montou a sua própria sapataria, fabricando sapatos, botas, chinelos masculinos e femininos. À cavalo e com cargueiros trazia a produção para vender nas localidades vizinhas.
Gostava de festejar; era jovem, alto, solteiro e tinha uma boa aparência, além de ser comunicativo e um ótimo vendedor. Vinha até Bom Retiro onde morava sua irmã trazendo seus produtos e aproveitava as festas de Igreja.
Em 1928 casou-se com Alvina Wagner, filha de Julia Freiberg e Alfredo Henrique Wagner que também era sapateiro, residentes em Lomba Alta. O casal teve 3 filhos – Ivone, Arno e Quirino. Vieram morar na localidade de Barracão, bairro Águas Frias: lá possuía sua casa e montou sua sapataria. No ano de 1930 trabalhavam no estabelecimento nove sapateiros. Evaldo era o estilista, fazendo os moldes e costurando para que os outros fizessem o acabamentos: todo os serviço era manual.
O filho de imigrantes alemães5 também teve uma “veia política”; após a revolução de 1930 veio a “ditadura de Getulio Vargas” até 1945. Em 1946 com a democracia foram criados novos partidos políticos – PSD e UDN. Houve a primeira eleição livre para presidente da república, governador, senado, deputados federais e estaduais, prefeito e vereadores. Evaldo foi eleito vereador pelo PSD com 270 votos.
Sempre participou ativamente de todos os acontecimentos da comunidade do Barracão. Com seus amigos Genésio dos Santos, Alberto Schweitzer, Quirino Kretzer, João Bruno Hoffaman (João Farmacêutico), Roberto Beling, Paulo Almeida, Jorge Franz, Balcino Wagner e outros fundou a Sociedade recreativa União Clube em 28 de novembro de 1937.
Seu Evaldo, como era conhecido, sempre dedicou-se ao comércio. Tinha sua convicção sempre desinteressada, ajudando a todos, tendo honestidade, fé em Deus e a luta pelo pão de cada dia. Faleceu em 25 de fevereiro de 1968.

Informações Transmitidas por:
Quirino Iung

Correções: Ana Paula Kretzer

Personalidades - Padre Alfons Hansenfratz


Por Carol Pereira

Data de Nascimento: 17/04/1935 – Sankt Wendel - Alemanha

Data de Falecimento: 18/07/1997 – Alfredo Wagner – Brasil

A história de nosso mais querido padre começa na Europa, para sermos mais exatos, na cidade de Sankt Wendel (São Vendelino) na Alemanha.
Aos quatro anos, o pequeno Alfons, viveu os horrores da 2ª Guerra mundial, a qual devastou toda a região da Alemanha onde ele e a família viviam. Seu pai e seu irmão mais velho - com apenas 12 anos - serviram ao exército. Ele, a mãe e a irmã mais nova passaram três anos vivendo em uma espécie de porão, um buraco na terra fechado por uma porta, chamado de “buncalo”. A família Hasenfratz sofreu com a guerra. O irmão mais velho de Alfons morreu de fome, em batalha. Seu pai era funcionário do Trem Federal da Alemanha, sendo assim, obrigado a servir ao exército. Após ser capturado pelos russos, teve a língua cortada, tendo que reaprender a falar quando voltou para casa. Poucos anos
mais tarde também faleceu em consequência dos ferimentos de guerra.  O jovem Alfons e sua irmã mais nova foram criados pela mãe que fez de tudo para educar bem os dois filhos. 
O Jovem Alfons sempre soube que tinha vocação para ser padre, desde criança sabia que queria ser ordenado e que através da igreja ajudaria muitas pessoas.
No seminário, apesar de ter muita facilidade com os instrumentos musicais não se dedicava muito a isso, tocando apenas a flauta e o pistão. A área que mais lhe interessava era a dos idiomas. Alfonso aprendeu ao longo da vida seis idiomas – Alemão, Inglês, Grego, Latim, Aramaico e já no Brasil, o Português.
Após ser ordenado padre, veio para o Brasil no ano de 1962, aos 26 anos de idade. A primeira cidade na qual Padre Alfons se estabeleceu foi Anitápolis, mas
lá enfrentou muitas dificuldades, principalmente por não compreender o idioma – português – já que Padre Alfons tentava se comunicar com a comunidade em Alemão. Saindo de lá passou ainda por algumas outras cidades como: Salete, Wirtmasum e uma breve passagem por São Paulo. Foi na cidade de Wirtmasum que Padre Alfonso começou a aprender nosso idioma. Ele teve como professora Valdemira Tenfem, que o ajudou a aprender o português.
Padre Alfons chegou na cidade de Alfredo Wagner no ano de 1973. A paróquia de Alfredo Wagner tinha a fama de que por aqui não permaneciam padres por longos períodos. Nos dez anos antes da chegada de Padre Alfonso tinham passado por nossa cidade doze padres. Porém, Padre Alfonso mudou isso, permanecendo aqui por 24 anos.

Ele e a comunidade se entrosaram muito bem. Sempre participativo, foi durante muitos anos mais do que um padre, um grande companheiro dos moradores de Alfredo Wagner. Sempre tendo a intenção de ajudar e fazer o bem para a cidade que adotou como sua.
Para homenagear sua cidade natal, após a separação da comunidade do Rio Engano, Padre Alfonso sugeriu que o nome da nova comunidade fosse São Vendelino. Ele encomendou a imagem a escultores de Treze Tilhas e presenteou a comunidade com a imagem do santo padroeiro.
De tempos em tempos Padre Alfonso voltava para a Alemanha e lá arrecadava fundos para melhorar a infraestrutura das capelas e também para ajudar as comunidades. Foi com o dinheiro arrecadado pelo padre que mais de dez pontes foram construídas entre o final da década de 70 e o início da década de 80 – entre elas as pontes de São Vendelino, algumas pontes no Caeté, Catuíra e Alto Limeira. Ele conseguia o dinheiro através de doações, organizando jogos de futebol beneficentes e também doando o salário que recebia como pároco na Alemanha, quando por lá em suas férias era contratado para celebrar algo.
Tanto na Alemanha como no Brasil, Padre Alfons tinha inúmeros amigos, principalmente nos jogos de futebol, o esporte que ele adorava. Buscava sempre unir a comunidade para que juntos a força fosse maior e a solidariedade pudesse acontecer.
Assim que adoeceu e foi se tratar na Alemanha, Padre Alfons tinha apenas um pedido: Morrer em Alfredo Wagner. Percebendo que o tratamento não faria efeito ele retornou ao Brasil e aqui junto de sua amada comunidade e de seus amigos  entre eles Valdemira - uma amiga de toda a vida, que esteve sempre ao seu lado, lhe ajudando não só com o idioma, mas também a fortalecer a fé do povo alfredense e a construir diversas obras que até os dias de hoje servem à comunidade – pode repousar em paz.
No dia 18 de Julho de 1997, o povo Alfredense de despediu dele. Uma Diabetes emocional matou aos 62 anos o alemão que amava Alfredo Wagner como se no lugar tivesse nascido. Seu corpo está enterrado ao lado do altar da matriz de nossa cidade e a lembrança de nosso eterno padre continua na memória de muitos alfredenses que com ele conviveram e aprenderam a fazer o bem.



Mais algumas obras com a contribuição de Padre Alfons:
Imagens de Igreja e das capelas;
Biblioteca do colégio;
Capela do estreito;
Reforma da casa paroquial;
Salão da paroquia.

Informações transmitidas por:
Valdemira Tenfem

Correções: Ana Paula Kretzer

Projeto Conhecendo Alfredo Wagner: Personagens Históricos

PERSONAGENS HISTÓRICOS DE ALFREDO WAGNER
I-                   JOÃO CONORATO
Por Juliano Norberto Wagner

Instado a falar sobre personagens marcantes de nosso Município, imediatamente veio-me o nome de um dos pioneiros: o velho Conorato, figura legendária, tema central das rodas de conversa tanto em vida quanto – e principalmente – após sua morte.
Seu nome, na verdade, era João Conrado Schmidt, e seus pais eram os alemães Konrad Schmidt e Clara Jakobs, que se instalaram na vila de Barracão entre os anos de 1891 e 1892. A morada destes pioneiros era no Piquete, mais precisamente onde por muitos anos residiu o Senhor Valdemiro Förster – de saudosa memória. Konrad e Clara tinham poucos filhos, para a época. Eram apenas João Conrado e mais umas duas, três meninas: Catharina Conrada, Clara Conrada e Anna Conrada... Pela abundância e repetição do nome “Conrado” entre os Schmidt, cuja pronúncia em alemão soa algo como Côn-rat, apelidou-se toda a família de “os Conoratos”.
Um fato bastante trágico abalou toda a família, tão logo haviam se instalado nestas paragens: em um dia de chuva, a jovem Catharina Conrada, moça bonita e graciosa, desapareceu. Seus pais puseram-se a procurá-la, repletos de angústia. Depois de algum tempo, foram localizados seus tamancos na beira de um pequeno perau, que margeava um profundo poço no Rio Itajaí (ainda hoje visto da SC 302). Catharina estava morta, afogada. Nunca seus familiares puderam concluir se foi um acidente ou se ela se suicidou – pois a jovem estava tendo problemas com o namorado... Estaria grávida? São dúvidas que as águas barrentas daquele trágico dia chuvoso de fins do século XIX imergiram. 
Quando contava uns 20 anos, João Conorato conheceu uma moça muito bonita, meiga, de bons modos, que estudara em um colégio de freiras. Seu nome era Cristina Francisca, e ela morava com seus pais, Jan Andersen, dinamarquês, e Allidia Hoegen, holandesa, na Colônia Militar de Santa Thereza. O casal e seus 14 filhos habitavam uma casa de barro, de pau a pique, onde mantinham uma pequena bodega. Jan – cujo nome foi abrasileirado para João – de profissão negociante, vivia da compra e venda de mercadorias. Detalhe: sua venda não dispunha de balcão, gavetas nem prateleiras. As mercadorias eram dispostas sobre caixotes de madeira, e ali mesmo eram comercializadas. De suas origens escandinavas, Jan mantinha apenas o sobrenome, o sotaque carregado e um relógio de parede, de madeira, que lhe mostrara as horas desde a longínqua Dinamarca, também durante os três longos meses de travessia do Atlântico, até sua morte, ocorrida aos 56 anos, de “doença do peito”. Certamente, seu peito carregava a saudade do reino distante, da neve abundante, da vida à beira do Mar Báltico, das aventuras de seus ancestrais vikings...
João Conrado e Cristina se conheceram em uma domingueira, na Colônia Militar, se enamoraram, e apenas a morte os separaria. Casaram-se, e passaram a morar na vila de Barracão, no lugarejo posteriormente denominado Estreito. João, sempre afeito ao trabalho e à expansão de seu patrimônio, labutou incansavelmente durante toda a sua vida. Plantava feijão, mandioca, cana-de-açúcar e tabaco. Ele e seus filhos cultivavam tabaco, em galpão, tendo sido provavelmente os primeiros fumicultores da história do Município. Foi também industrial, mantendo simultaneamente engenho de açúcar e de farinha.
Suas filhas, que durante a semana cortavam os braços nas roças de cana, causavam sensação nos bailes que eram promovidos na vila de Barracão. Egídia (Gidinha), Erondina, Donatília (Dona), Santília (Santinha) e Santolina (Nini) intercalavam-se como rainhas dos carnavais e outras festividades.
A casa de João Conorato era muito bonita: cercada por um bem cuidado jardim, onde havia flores, chorões e coqueiros plantados, que ornavam o caminho por onde passava o carro de molas – espécie de carruagem. A casa era construída em estilo enxaimel germânico, de cuja área se podiam apanhar e degustar uvas e outras frutas, cultivadas zelosamente pela família. As salas eram decoradas com pinturas murais e papeis de parede e, em datas importantes, sediavam festas e faustosos banquetes.
Trabalhador e econômico, João Conrado Schmidt alcançou patrimônio admirável: a maior parte do centro de Alfredo Wagner lhe pertencia, bem como o bairro Estreito, desde a cabeceira da Ponte Eng° Emílio Kuntze até a ponte do Saltinho (Ponte Preta), além da região do Rio Caeté acima, pelo menos até a altura da primeira subida para o Morro Redondo, e a Serra do Campo dos Padres.
Antes mesmo da virada do século XIX para o XX, Conorato construiu um galpão para abrigar tropeiros e viajantes. Cedia-lhes também o potreiro, onde podiam deixar suas tropas. Praticamente todos os colonizadores do município passaram por seu barracão, principalmente os da região de Caeté e Santa Bárbara. Era Conorato quem os encaminhava para suas novas moradas.
Conorato era baixo, magro, mantinha bigode avantajado e semblante grave. Andava a cavalo, trajando botas, guaiaca, chapéu, um colete – no bolso do qual carregava um relógio de ouro, donde pendia uma correntinha do mesmo metal que era alçada ao botão. Suas palavras eram poucas e seus costumes ortodoxos: casa, igreja, trabalho. Sua tez morena, mesmo sendo filho de alemães, indicava a provável etnia de sua mãe: judaica. Recebia amistosamente as visitas – hábito muito difundido na época, mas, tão logo se saciava de suas refeições, pedia-lhes licença e se dirigia aos intermináveis afazeres. Numa época em que os botecos eram atopetados de homens a comentar sobre o clima e os acontecimentos corriqueiros, Conorato não perdia tempo: seu lema era produzir.
Quando tinha pouco mais de 50 anos, numa madrugada de primavera, teve uma triste surpresa: sua amada esposa falecera. Descontrolado, pôs-se a caminhar ininterruptamente pela casa, cruzando as salas, copa, cozinha, área do forno... aos prantos e suspiros. Nunca mais veria sua fiel companheira! Despiu seus trajes cotidianos e vestiu o luto, como rezava a tradição. Recomendou o mesmo a seus filhos, inclusive a Florinho, com 13 anos, e o pequeno Lourival, que contava apenas 10 anos. No momento em que, sobre uma carroça, o féretro de Dona Cristina seguia, a casa, antes tão alegre, agora era envolta por dor e sofrimento. Voltaram do cemitério de Barracão o viúvo, o primogênito Dôia, as filhas moças e seus dois meninos: Florinho e Lourival. A ausência da mãe amorosa tornou o lar lúgubre e vazio. Até as pombinhas que habitavam a moradia voaram, para nunca mais voltar... era 1° de outubro de 1922.
Dona Cristina era estimada por todos. Era a mãe dos pobres. Sempre que os mais necessitados a acorriam, ela dizia: “Espere o João ir pra roça, que eu vou lhes ajudar!” e, assim que o marido – muitas vezes demasiadamente zeloso com os bens materiais – saía, ela ia ao paiol e provia de alimentos e roupas andarilhos e miseráveis, que se despediam, a abençoando. Cristina também ajudava suas irmãs, mais pobres, vestindo-as com trajes melhores e mais quentes.
Um ano após a perda da matriarca, os Schmidt viram que cada um deveria procurar dar segmento às suas vidas. As filhas Santília e Santolina (Nini) casaram-se, em dias seguidos. Esta, na sexta-feira, com Algenério Santos(Godo); aquela, no sábado, com Olíbio Leandro Wagner(Lili). Sem as filhas em casa, Conorato procurou a cunhada Clarinda, irmã de Cristina, também viúva, com quem contraiu núpcias. O novo casal deixou a velha morada, e se instalou no Sombrio (centro da vila de Barracão), onde adquiriu uma casa.
Conorato era um pai atencioso e avô amoroso. Sentia prazer em se ver rodeado pelos filhos e netos, com quem fazia inocentes brincadeiras. Certa vez, mesa posta, após a oração, o velho interpelou seu neto primogênito e predileto, Evaldo Franz: “Valdinho, você come carne de galinha morta?”. O menino ficou enojado e pensativo, mas ao deparar-se com a risada gostosa do avô, percebeu que ele estava caçoando.
Criador de gado, Conorato e descendentes encilhavam os cavalos e levavam, pelo Caeté, Santa Bárbara, Pedra Branca, tropas de gado, tocadas. Pousavam no lugar chamado Campo Chato que, pela constante presença do Pioneiro, se tornou um lugar até hoje repleto de histórias.
Na medida em que foi envelhecendo, o velho Schmidt foi ficando com a saúde fragilizada. Como não pode mais trabalhar, calçava os chinelos e ia à vargem (rio acima, no viaduto do Estreito) ver a filha Gidinha trabalhar. Lá, ela colocava um banquinho, donde o pai a podia observar.
Como os filhos de sua segunda esposa eram pobres, Conorato, já idoso, permitia que os enteados – avessos ao labor – levassem de seus paióis carroças cheias de mantimentos: batata, mandioca, milho, charque...
Acamado e débil, Conorato recebeu a visita da filha Santinha, que trouxe seus 7 filhos, numa carroça, para se despedirem. Vendo que uma netinha fitava para uma penca de bananas que havia no aposento, o atencioso avô disse: “Dê banana para a menina!”.
Como era bastante abastado e, na época, não havia bancos nas proximidades, boatos não faltavam de que Conorato estava enterrando sua fortuna. Seus filhos não acreditavam nisso, pois sabiam que o pai guardava seu dinheiro em meias, embaixo do colchão. Mas muitas pessoas discorriam sobre onde e quando o velho depositara seus pertences mais valiosos.
Um menino que morava na direção do Caeté – hoje um senhor quase octogenário – relata que vinha diariamente à aula, no Barracão Velho, e passava na frente da casa do Seu Conorato (onde atualmente é o Supermercado Beppler). Ao alcançar a morada, via o ancião sentado, na área, fitando-lhe seriamente, como que a lhe querer revelar algo. Alguns meses depois, João Conrado falecia... Por três noites seguidas, o rapazinho teve o mesmo sonho: passava em frente à casa do velho que, desta vez, lhe chamava e contava ter enterrado um tesouro próximo a um pinheiro, num morro do Estreito, incumbindo-o de desenterrá-lo.
Esta é apenas uma de dezenas de histórias que por muito tempo povoaram nossa comuna: pessoas que sonhavam com o Pioneiro, outras que sabiam de alguém que encontrara um guardado deixado por ele, ou até mesmo aparições de sua alma no velho barracão dos tropeiros ou no lendário Campo Chato. Muitos, inclusive seus netos, puseram-se a cavoucar em pontos estratégicos, onde imaginavam encontrar as supostas preciosidades.
Na década de 1950 (provavelmente no ano de 1956), o cemitério, que antes se situava ao lado da capela, no Barracão, foi transferido para sua atual localização. Os que tinham parentes no antigo campo santo trataram de desenterrá-los para sepultarem-nos no novo local. Quando souberam que iriam mexer na tumba do velho Schmidt, morto há quase 20 anos, grande foi a sensação, pois havia duas lendas acerca do cadáver: primeiro, a de que seu corpo estivesse incorrupto, pelo fato de ele ter nascido no dia de natal (25/12/1864) e ter adoecido numa 6ª feira santa; depois, pelo comentário de que sua fidelíssima segunda esposa, Clarinda, tivesse depositado o ouro dentro do esquife, sob o corpo – conforme suposta recomendação feita por Conorato assim que percebeu a morte dele se aproximar. Crianças, dentre elas Quirino Iung, foram acompanhar a exumação do corpo, feita pelo coveiro Leriano, e por Florinho, Valdinho e Vava, respectivamente filho, neto e bisneto do falecido. Retiraram a terra até alcançarem o ataúde e, ao abrirem-no, depararam-se com a ossada envolta no belo terno marrom de lã de caxemira, este sim, praticamente intacto. Sob o travesseiro, procuraram, em vão, alguma moeda ou joia. Tratava-se de mais um mito acerca do Pioneiro.
Tendo deixado ou não panelas cheias de ouro escondidas, uma coisa é certa: não há como ignorar aquele que era o dono de praticamente todas as terras que hoje abrigam o centro da cidade e o bairro Estreito. João Conrado Schmidt, agricultor, pecuarista, industrial, hospedeiro de tropeiros, foi figura exemplar e marcante em nossa história.

João Conrado Schmidt
Nasceu provavelmente na Colônia Santa Isabel (hoje próximo a Águas Mornas) em 25/12/1864
Faleceu em Barracão (hoje Alfredo Wagner) em 06/10/1938


Informações transmitidas, ao longo dos anos, por:
Alceste Franz Althoff – in memoriam
Balcino Matias Wagner
Edite Wagner Dorigon
Evaldo Franz – in memoriam
Francisco Valdemar Heiderscheidt (Quixa)
Iracy Wagner Cardoso
Lígia Kalbusch – in memoriam
Nelito João Franz – in memoriam
Olga Franz
Oscar Maria Althoff – in memoriam
Quirino Iung
Zenira Nunes Teixeira Gandin

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Festa Junina 2013

O mês de junho é caraterizado por danças, comidas típicas, bandeirinhas, quadrilhas e muita animação. São as famosas festas juninas. Que homenageiam São João.
A E.E.B. Silva Jardim não poderia ficar fora dessa festa tão animada. No dia 22 de junho, aconteceu na nossa escola, a tradicional festa junina.
Durante os festejos tivemos atrações como: quadrilhas, casamentos caipiras, sinhozinho e sinhazinha, com a participação de professores e alunos.
Tivemos também leilões, bingos, galinhas assadas, cachorro-quente e muitas guloseimas.
A E.E.B. Silva Jardim agradece a todos que colaboraram e compareceram tornando nossa festa um grande sucesso.
A Direção. 


Prestação de contas Festa Junina