segunda-feira, 22 de julho de 2013

Personalidades: Osvaldo Schweitzer – Vadinho

Por Carol Pereira
Alceu Schweitzer

Data de nascimento: 03 de maio de 1916
Data de falecimento 25 de outubro de 1982

Osvaldo nasceu no Barracão, local onde existiam a maior parte do comércio da vila. Filho de Alberto Schweitzer e Tercilia Schweitzer, tinha 4 irmãos.
Não largava do seu chapeuzinho típico e  trazia na cinta sempre um bom canivete para descascar uma laranja ou ajudar na hora do trabalho. Tinha como características de personalidade ser muito engraçado, brincalhão, dançador e contador de histórias e anedotas – piadas.
Aos 15 anos começou a namorar com Maria do Carmo Schelemper – conhecida como dona Mariazinha que foi a primeira servente da Escola de Educação Básica Silva jardim - com quem teve 9 filhos - Vilson Alberto Schweitzer, Ilza Schweitzer Almeida, Amélia Schweitzer(in memoriam), Dirceu Schweitzer, Olga Schweitzer da Silva, Braulio Schweitzer (in memoriam) 

Osvaldo Schweitzer filho, Edio Schweitzer e Raquel Schweitzer Peron.  A família do senhor Vadinho sempre muito alegre e unida passou por uma grande tragédia. Amelinha filha do casal, com apenas 4 anos, foi atropelada na frente da casa onde moravam e veio a falecer. Foi um perda muito dolorida e inesperada. As crianças brincavam de “pegar carona” atrás das carroças que passavam, Amelinha e o primo ao ouvirem o barulho de um caminhão se soltaram e não deu tempo para que a menina chegasse ao outro lado da rua. Os irmãos mais velhos assistiram à cena e a mãe que tinha ido levar um outro filho ao médico foi chamada às pressas. A dor de Vadinho ao perder a filha de forma tão triste foi algo que ele sempre lembrou ao longo da vida.

Tentou a vida em Lages, levando toda a sua família para
 essa aventura,  mas não tendo sucesso retornou a sua amada terra....
Sempre gostou de mexer com bichos – criava galinhas e tinha sempre um cavalo para o seu lazer e também para trabalhar. Ele não admitia maus tratos para com os animais, sempre que via algum cavalo magro e maltratado ele o comprava, engordava e quando ele estava saudável e bem tratado o vendia. Ficou conhecido como um pequeno mercador que comprava alguns alimentos como queijo e linguiça para vender nas cidades vizinhas em sua carroça. O fato de gostar de animais marcou toda a família, principalmente os homens, que até hoje cultivam esse
gosto criando cavalos e bois.  Mais tarde trabalhou como açougueiro com Quiliano Heiderscheidt , Paulo Bum e posteriormente com Luiz Carlos Onofre.
Vadinho tocava bateria em uma banda que se chamava Jazz Familiar. Junto com ele faziam parte da banda: Titi – Arcidio que tocava Saxofone , Nato – Renato que tocava gaita, Vito – Lazaro de Almeida que tocava gaita, Gordo – Valdenir que tocava trombeta, Ameixa –
Zelito que tocava pistão; além de Edilberto, mais conhecido como Eti, que tocava 23 instrumentos, entre eles: trombone, clarinete, bamdonia, gaita e saxofone. As festas no clube e no salão do Seu Talico eram animadas por essa orquestra.  
Seu Vadinho era figura certa nas festas do Antigo Barracão. Sua mãe insistia para que ele e os irmãos fossem aos carnavais fantasiados de mulher e ela ficava com as crianças para que as noras fantasiadas de
homem também fossem as festas. Era participante ativo dos “Intrudos” – festa comum nos carnavais que envolvia blocos de foliões que se divertiam jogando farinha e água uns nos outros. Além do carnaval uma festa que seu Vadinho e a família sempre frequentavam eram os antigos casamentos caipiras realizados no clube. Um comboio de carroças vinha desde o Barracão até o clube. Seguido por dezenas de pessoas que
seguiam cantando e dançando, enquanto os noivos iam na frente, soltando foguetes.
Vadinho sempre foi um apaixonado pela vida e ainda nos dias de hoje é lembrado pelo seu jeito sempre bem humorado. Era amigo de velhos e jovens e nas festas sempre estava cercado por pessoas que quase sempre estavam rindo de suas divertidas história.
No leito de morte ele disse a seu filho: “Meu filho, eu não quero morrer”. A paixão pela vida o fez viver intensamente e hoje ele permanece vivo na memória daqueles que o amaram.
Não era homem de muitas poses, mas deixou uma enorme herança a seus descendentes: O amor e a união. Mesmo hoje, passados mais de 30 anos de sua marte, filhos e netos ainda falam nele como se ele ainda estivesse vivo e não conseguem esconder a saudade eterna que sentem de Vadinho.

Causos e histórias contados por Vadinho
Casa mal assombrada da Boa Vista
Na época que se transportava mantimentos do Barracão até a Palhoça de carreta puxada a cavalos, existia na Boa Vista uma casa abandonada onde os carreteiros e tropeiros sesteavam. A casa tinha fama de ser mal assombrada, diziam que apareciam fantasmas, almas penadas debaixo do assoalho, que erguia e abaixava, fazendo as tábuas rangerem. Não tinha quem parasse mais naquela casa, todos tinham medo daquelas almas.
Vadinho não tinha medo de fantasmas nem de assombrações e certa vez, voltando de Palhoça resolveu que naquele dia pegaria o tal fantasma.
Se preparou, bebendo umas canas e resolveu que passaria a noite na casa e encararia a tal alma penada.
Lá pelas tantas da madrugada o barulho começou, o assoalho erguia e abaixava, as tábuas se mexiam, mas vadinho não correu. Resolveu que ergueria as tábuas para ver o que tinha lá embaixo. Assim que as levantou percebeu que não era fantasma coisa alguma e sim uma porcada que vinha dormir embaixo da casa.
Vadinho contava a história e ria dos homens que ficaram com medo da porcada.


O defunto jogador de torrões

Na época em que o cemitério antigo de Alfredo Wagner ficava no Barracão, no terreno onde hoje fica a igreja matiz, a estrada bem mais estreita do que é hoje passava bem em frente ao cemitério. Certo dia foi enterrado no cemitério um vivente e ninguém mais tinha coragem de passar pela frente do cemitério, somente os mais corajosos se atreviam.
Como Vadinho adorava pregar uma peça nos amigos, revolveu que a noite assustaria o João Bugiu – um de seus amigos.
Assim que a noite caiu Vadinho se escondeu dentro do cemitério, esperando o amigo passar. Como naquela época só existia luz de lampiões a querosene, o vivente vinha cambaleando – de bêbado – e Vadinho pega um torrão de terra e joga na estrada, bem em frente a João Bugiu. O susto foi grande, João suando frio gritou: “Oooooh defunto, se tu és macho joga outra”. Vadinho não esperou nem João Bugiu terminar de falar e jogou o segundo torrão, este mirando bem no peito do amigo.
Quando viu que o defunto era macho e tinha jogado outro torrão o porretaço chegou a passar e João Bugiu, deu meia volta e saiu em disparada.
Vadinho foi esperto e correu por trás do cemitério, queria chegar antes de João ao destino, que sabia bem qual era; Joao iria direto até a casa do delegado, que era o pai de Vadinho, Alberto Schweitzer, que também não tinha medo de nada, mas conhecendo bem o filho que tinha, já sabia que o tal defunto jogador de torrões era obra de seu filho, mas manteve segredo.
Foi até o cemitério averiguar o tal defunto, mas não encontraram nada, o fato é que João Bugiu passou muito tempo temendo o tal defunto jogador de torrões.

O feitiço virou contra o feiticeiro

Cavaleiro que só ele, caprichoso, com suas encilhas e com seu animais, nos finais de semana era quem podia mais. Sempre queria andar garboso pela praça e o grande “point” do Barracão era o boteco do Talico. Era lá que todos se encontravam para beber umas canas e contar causos.
Vadinho sempre gostava de fazer sacanagens, em frente ao boteco tinha o estacionamento para os animais, na qual todos amarravam seus pingos, porém Vadinho amarrava seu cavalo na área em frente a casa de Talico, com o passar das horas o cavalo sujava a entrada da casa, o que deixava do Talico – seu irmão - muito bravo. Todo final de semana ele fazia o mesmo, não adiantava pedir.
Até que em um final de semana Talico disse a sua esposa: “Hoje o Vadinho me paga Julita”.
Assim que Vadinho chegou e amarrou o animal na área da casa, como de costume, Talico saiu escondido, retirou o pelego do cavalo – um manto sagrado para Vadinho – e colocou em baixo do animal. Com o passar das horas o pelego ficou imundo, com toda a sujeira feita pelo cavalo. Vadinho que gostava tanto de fazer sacanagens aos amigos desta vez tinha sido sacaneado pelo próprio irmão, mas aprendeu a lição, deste dia em diante ele nunca mais amarrou o animal na área do irmão.

Baile do “preto” e baile do “branco”

Antigamente existia muito racismo e os bailes eram divididos: Baile dos “pretos”- negros – e de outro lado o baile dos “brancos”.
Vadinho era amigo de todos, de pretos e de brancos e tinha entrada livre nos dois bailes.
Certo dia colocaram na cabeça dele para que ele fizesse uma sacanagem no baile dos pretos, como sacanagem era com ele mesmo ele aceitou: entrou no Baile com seus amigos pretos e lá pela meia noite, tirou do bolso pimenta e jogou no salão sem ninguém ver. O baile acabou, mas em seguida descobriram que tinha sido ele e o pau comeu! Bateram tanto em Vadinho que ele só apareceu em casa uns quatro dias depois.
O tempo foi passando e ele foi acertando as contas com seus amigos na sua maneira.

Informações transmitidas por:
Olga Schweitzer da Silva
Alceu Schweitzer
Elizete Schweitzer Coelho
Elâine Aparecida Almeida Rossini
Aluna: Illana Bondavalle

Correções: Ana Paula Kretzer

Comentário de seu neto Alceu.
Parabéns a você Carol Pereira que vem resgatando a História de Alfredo Wagner, falando de pessoas que marcaram esta terra, com trabalho, com lutas, com festas, e obrigado por falar de meu avô, que todos conheciam como seu Vadinho, Meu avô, meu Pai, meu Irmão, meu amigo, eu era o neto mais velho, e afilhado, nossa amizade era tão grande, e aprendi com ele a coisa mais importante e muita gente não se da conta, aprendi a viver a vida. Muita gente poderia pensar escrever sobre a vida de seu vadinho seria fácil, para escrever estas 6 ou 7 linhas deste depoimento já ri, já chorei, um exemplo recente de amizade entre neto e avô, em nosso município foi o Ramon e seu Rogério, o recado é para os jovens vivam intensamente seus entes queridos seus bisavós,seus avós, seus pais, sejam amigos deles, ai um dia você vai ter orgulho de falar dele, este legado foi deixado por meu avô VADINHO. No natal vai achar teu presente, vamos limpar uma galinha, vai buscar água para o vô, vai pegar o cavalo vamos buscar tia zilma no caeté, vai cortar trato para égua, vamos buscar lenha nas demoras, domingo tu vai jogar no maracujá já esta marcado, vamos comprar tua aliança é meu presente, nasceu minha bi............, a se tivesse celular ou fac no céu queria saber qual a minha próxima missão.
Alceu Schweitzer

Personalidades: Oslino Heiderscheidt


Por Mariana Heiderscheidt

Data de nascimento: 23 de novembro de 1930
Data de falecimento: 24 de julho 2005

Oslino, mais conhecido como Ossilino, nasceu no dia 23 de novembro de 1930 no município de Angelina, localidade de Rancho de Táboas. Era filho dos agricultores Roberto Heiderscheidt e Amália Franz Heiderscheidt, teve dois irmãos biológicos, Celso e uma irmã falecida ainda pequena, além deles o casal adotou duas meninas: Doni e Rita.
Ainda na década de trinta, Roberto adquiriu terras em Rio Caeté, então Barracão. A família mudou-se trazendo seus pertences em sua carroça, Oslino e Celso, ainda crianças na época, vieram acomodados dentro de cestos grandes colocados um de cada lado do cavalo puxado por sua mãe Amália.
Moraram por muitos anos no Caeté trabalhando como agricultores e, posteriormente, como comerciantes, tendo sua venda localizada próxima a igreja de Santa Rosa. Dona Amália era costureira de mão cheia. Oslino casou com Florentina Marioti Heiderscheidt  no início do ano de 1951 e tiveram 9 filhos, sendo que o primeiro nasceu no mês de outubro do mesmo ano, são eles: Deni, Paulo, Nelci, Zoraide (in memorian), Valdenir, Elio, Alcides, José Roberto e Zilma. No início da vida de casados, moraram na propriedade dos pais de Oslino, assim como seu irmão Celso e sua esposa Olinda, irmã de Florentina. Eles  trabalhavam na venda de Roberto, onde negociavam produtos necessários para o dia-a-dia dos agricultores vizinhos. Também auxiliavam na roça. Após alguns anos, Oslino e Flora moraram no Morro da Bracatinga, nas terras dos pais de Florentina, local onde tiveram e criaram a maioria de seus filhos.
Com o passar do tempo, Oslino adquiriu terras em Águas Frias, local muito movimentado na época, pois a Estrada Geral que fazia ligação entre Lages e Florianópolis cortava o bairro. Por aqui, Oslino e seus filhos, iniciaram o trabalho com madeiras. A princípio fabricavam móveis e esquadrarias, com o passar do tempo começaram a fabricar caixões sob medida. Ensinou o ofício de marceneiro minuciosamente a todos os filhos homens. Por volta do ano de 1973, a família sofreu com um incêndio na fábrica, os obrigando a reconstruir em outra parte do terreno, sendo uma época muito difícil. Seus dois filhos homens mais velhos, mudaram de cidade após se casarem e continuaram neste ramo. Os 4 filhos homens que continuaram em Alfredo Wagner, juntamente com Oslino, iniciaram a fabricação de carrocerias de madeira ainda no bairro Águas Frias, ofício que exercem até os dias de hoje, na empresa chamada Carrocerias Barracão, que tem clientela espalhada por toda Santa Catarina.
Oslino sempre participativo politicamente, filiado ao PMDB, foi vereador por dois mandatos, em 1977 e 1983. Mesmo quando não era candidato, trabalhava em prol do seu partido. No último ano de sua vida, se engajou para eleger seu candidato, ficou extremamente feliz com a vitória e participou do ato da posse.
Tinha como passatempo os hábitos de caçar e pescar desde sua juventude. Era muito cuidadoso com seu quintal repleto de verduras, frutas, temperos, chás e flores. Nos últimos 10 anos de sua vida, Oslino dedicava seu tempo livre para pescar nos rios da cidade para agradar Fível, um gato de estimação que era seu companheiro quando estava em casa. Fível, hoje com 18 anos, ainda deita na cadeira de seu dono após quase 8 anos da sua morte.
O empresário e autônomo Oslino Heiderscheidt tinha problemas cardíacos desde a década de 90. Em 2005, Oslino apresentou um quadro de Enfisema Pulmonar, permanecendo durante parte do mês de junho e julho hospitalizado. No dia 19 de julho de 2005, Oslino recebeu alta, mas permaneceu na casa de um de seus filhos por orientação médica, casa esta que fica próxima ao Hospital Regional de São José. Na madrugada de 24 de julho de 2005, precisamente as 5h30min, Alfredo Wagner perdeu um dos seus empresários pioneiros: um infarto fulminante cessou a vida deste homem que apostou em seu ofício e através dele constituiu seu patrimônio, dando um futuro a seus filhos.

Informações transmitidas por:
Florentina Marioti Heiderscheidt
Valdenir João Heiderscheidt

Zilma Heiderscheidt

Personalidades: Rogério Pedro Kretzer


Por Ana Paula Kretzer
Nascimento: 24 junho 1939
Falecimento: 03 maio 2010

Rogério Pedro Kretzer nasceu em 24 de junho de 1939 em Santo Amaro da Imperatriz.
Seu pai , Nicolau Pedro Kretzer, de família rica, era de Angelina e conheceu sua mãe , Irma Rosa Lemhkul , na festa do Divino em Santo Amaro da Imperatriz, festa esta tradicional do município que até os dias de hoje é celebrada. A família de Nicolau não aceitou bem o namoro pois Irma era de família pobre ( empregada doméstica) ; mesmo assim, casaram-se. Já nos primeiros anos de matrimônio mudaram-se para Alfredo Wagner devido a morte do irmão de Nicolau, Quirino Kretzer que   tinha uma mercearia no município . Assim o casal chegou no Barracão com a responsabilidade de assumir o estabelecimento ( a construção existe até hoje – datada 1926) já trazendo consigo o pequeno Rogério com 5 meses de idade. Desde então tudo o que se sabe sobre este ilustre munícipe está diretamente ligado a esta terra.
Rogério foi o filho mais velho de uma família de 6 irmãos ( 3 homens e 3 mulheres). Quando criança chegou a ser  coroinha(crianças que ajudam o padre na celebração da missa) da igreja matriz pois sua mãe sempre foi muito religiosa; tanto que foi ela quem doou o terreno para a construção da nova Igreja Matriz. Era ela também  quem recebia os padres e freiras que vinham ao Barracão em suas missões religiosas pois sua casa era grande e próxima a igreja . Depois de mais velho continuou cristão chegando a fazer parte do primeiro grupo do Carismático ( linha da igreja católica que promove a religião de maneira não convencional).  Aos 17 anos foi para o colégio Diocesano ( internato) em Lages (1956) porém o tempo que por lá ficou não chegou a um ano pois neste mesmo ano seu pai faleceu fazendo com que ele retornasse ao seu lar; já que, era o mais velho.
De volta a sua terra assumiu as “rédeas” da família e dos negócios ( seu pai era uma grande negociante). Iniciou então o namoro  com Marinely.
Eles não eram estranhos uma para o outro já que quando crianças freqüentavam a mesma sala de aula ( em uma turma multisseriada – ela na 1ª série e ele na 4º). O reencontro se deu na festa de janeiro da Igreja Matriz onde  apenas conversaram por algum tempo ( incentivados por uma amiga em comum). O romance mesmo aconteceu quando se viram novamente nas “domingueiras” do Seu Luizinho ( senhor que possuía um estabelecimento no centro da cidade sendo que na parte de cima funcionava um dormitório e na debaixo um restaurante que nos domingos se transformava em um salão com suas “domingueiras” tocadas à gaita pelo próprio Luizinho). No início o pai de Marinely não quis o namoro pois considerava a filha muito jovem -  14 anos – porém ele logo aceitou. Namoraram então por 2 anos até o dia em que  Rogério foi a Florianópolis e voltou de lá com uma corrente e um anel de ouro ,  um tecido de organza  e um pedido de noivado. A então enamorada, aceitou. Quando o casamento estava próximo Marinely engravidou. Ela não sentindo-se digna de uma festa e um vestido de noiva casou-se em uma tarde  de domingo ( 16/08/1959) na igreja matriz com uma única presença : o casal de testemunhas ( tios de Rogério – vale destacar o comentário do tio Ivo: “ Se fosse um casamento sério não me chamavam para se testemunha”).
O jovem casal morou com a família do noivo por 5 meses – foi o tempo que demorou para a casa em que viveram por toda a vida ser concluída, pois quando noivos Rogério já havia iniciado a construção de tal. Até hoje Marinely  reside na casa.

Nesta época a família Kretzer já não tinha mais a mercearia do tio (Quirino) mas sim uma “charqueada” (antigos açougues) em sociedade com Paulo Bunn.
Aos 21 anos decidiu iniciar uma vida política que perdurou até seu falecimento. Foi prefeito de Alfredo Wagner por duas vezes e em um mandato foi vice. Talvez o talento político já tenha herdado de seu avô, Nicolau Antônio Kretzer ,  que foi superintendente municipal de São José (1926 a 1928) e  seu pai que correu para vereador de  Alfredo Wagner mas perdeu quando o lugar ainda era distrito de Bom Retiro.
A primeira eleição a que correu foi em    1962  e  não teve sucesso perdendo a disputa para o  saudoso Duca. Foi nesta derrota que Rogério já mostrou seu “sangue político”: durante a comemoração do partido vencedor colocou  sua esposa e o filho que já tinha em sua “rural” , acendeu a luz interna do carro  e saiu a passear no meio da festa da oposição.
Depois desta eleição perdida o promissor político decidiu seguir a vida sendo caminhoneiro. Nesta profissão ficou até o próximo pleito em  1968 quando correu novamente a prefeito em chapa única apoiado por todas as lideranças da época .  Vitorioso, governou de 1969 a 1972  .  Rogério foi prefeito ainda na gestão de 1977 até 1982  quando governou por 6 anos e foi  vice de Nivaldo Wessler -  1989  a 1992 . Nos anos em que não ocupou nenhum cargo público manteve seus negócios como cerealista ( em sociedade com Raul Juventino da Silva – “Raulzão”) e como pecuarista pois uma de suas grandes paixões sempre foi a criação de gado. Neste inter-tempo também morou no Campo dos Padres ; isso em uma época em que o transporte até lá só se fazia com cargueiros ( cestos colocados no cavalo para transporte) . Enquanto morou no Campo dos Padres ( por 1 ano e meio) a casa que havia construído  foi utilizada por sua irmã (Ivone).
 Os cargos políticos que ocupou sempre foram um meio encontrado para contribuir para o desenvolvimento da cidade .
Nas contribuições públicas cita-se: a construção do hospital, a construção de campos de futebol,  ginásio de esportes, abertura de estradas ( A.W a Leoberto Leal /A.W a Anitápolis), primeira creche do município -  que na época se situava onde hoje é a BR 282, em terras doadas por sua mãe Irma Kretzer, próximo a igreja Matriz ; e por fim a construção  do parque de exposições ( não era o prefeito mas participou ativamente, desde a aquisição de verba até a mão-de-obra utilizada). Foi nesta época , com 48 anos de idade  que teve um infarto que quase o matou. A mobilização no município foi enorme, muitas orações foram feitos por todos os alfredenses que eram amigos e conheciam Rogério.  Ainda em Florianópolis no hospital lhe perguntaram se ele queria ser transferido a São Paulo, já que a maioria dos médicos consideravam-no morto , ele respondeu: “ Enquanto há vida, há esperança”. Realmente... a esperança lhe deu uma nova chance de viver. Depois de um tempo internado em São Paulo -  fez uma cirurgia de coração – voltou a sua amada terra.
Depois desta data,  todos os anos em abril ( mês em que fez a cirurgia) Rogério comemorava com sua família seu segundo aniversário, como ele mesmo dizia.
No final de sua vida política trabalhou ainda em Florianópolis como assessor de gabinete de deputado.
No ano de 1988 quando não ocupava nenhum cargo público , incentivado pela esposa preocupada com o futuro dos filhos formados e sem emprego, construiu a Churrascaria e Lanchonete Kretzer. Quando o filho mais velho Carlos Alberto (Beto) se casou assumiu a Churrascaria sendo que a lanchonete ficou sob responsabilidade do filho que na época ainda era solteiro Cláudio Luiz (Chico) . Este quando se casou continuou com o negócio. Os dois estabelecimentos , hoje, são tradicionais entre os moradores da cidade e entre os viajantes da BR 282 , já que estão localizados à beira desta BR no Km  104 - Trevo.           
Rogério era um homem que tinha como principais qualidades a caridade e a simpatia. Em um de seus mandatos colocou todos os operários braçais da prefeitura  em uma caçamba  e os levou para passar um fim de semana na praia da Pinheira ( Palhoça ), onde tinha casa. Queria proporcionar-lhes conhecer o mar... conseguiu!
Era ecêntrico e divertido.... certa vez no dia das mães sua esposa foi à missa e quando retornou ele estava vestido com suas roupas ( de mulher) cuidando dos filhos.
Apesar de não ter cursado uma faculdade tinha vasto conhecimento...era um leitor insaciável de jornais e revistas . Era também  enérgico na educação dos filhos, para ele não tinha uma segunda chance, se um deles fizesse algo que considerava errado ele não o poupava , seu julgamento e castigo eram igualmente severos.
Era um líder nato, tinha carisma , um anfitrião como poucos ; quando prefeito chegava a receber os cidadãos alfredenses em seu quarto , quando ainda estava na cama de manhã. Seu  maior ensinamento àqueles que com ele conviveram talvez tenha sido este: simplicidade em lidar com as pessoas e o prazer de cultivar antigas e novas amizades.
Tinha com os netos uma relação inestimável de companheirismo. Ele era louco por eles e eles loucos pelo avô. Certa vez em seu terreno nas Demoras comentava com um dos netos que quando os pés de pêssego floresciam era sinal de que algum idoso iria morrer ; a resposta foi imediata: "Então vô , vamos podar todos os pés de pêssego que temos aqui!"disse ele com medo de que seu grande amigo morresse. Este é um dos vários episódios que poderiam ser citados pra provar o tamanho deste amor ; entre ambos , é claro.
Enquanto vivo, Rogério  era visto com respeito pela maioria dos novos políticos da cidade, ainda tinha muito prestígio. Muitos alfredenses o tinham como líder público e isso, de certa forma, influenciou as últimas eleições de que participou ( como coadjuvante, é claro!).
Em agosto de2009 Rogério comemorou com seus 7 filhos e  11 netos os  50 anos de casamento com Marinely , vindo a falecer em maio de 2010, 9 meses depois desta celebração.
No passado a esperança lhe deu uma nova vida... ele agarrou esta chance com todo seu vigor e viveu para ver sua família crescer e sua terra progredir.
Morreu na  localidade de Demoras, no município que ajudou a desenvolver,  participando de uma audiência pública para a melhora da estrada local. Neste lugar tinha um terreno por qual era apaixonado, onde passava  a maior parte  de seu tempo nos últimos anos.
Faleceu, no lugar onde amava fazendo o que mais lhe dava prazer: política.



Informações transmitidas por:
Marinely Kretzer
Carlos Alberto Kretzer
Clóvis Ôge Kretzer

Homenagem a Balcino Matias Wagner

Por: Juliano Norberto Wagner

No dia 12 de junho de 2013, Alfredo Wagner perdeu um dos grandes baluartes de seu progresso, de sua cultura e de sua vida social. Perdemos, faltando seis anos para completar um século, o mítico, folclórico e legendário Balcino Matias Wagner.
Muitas pessoas passam pela vida agindo com probidade e retidão, mas poucas marcaram e marcarão tanto as quatro ou cinco gerações que com ele tiveram a satisfação de conviver. Balcino Matias Wagner, libriano justo e pacífico, foi dos maiores colecionadores de amigos que já passaram ou passarão por nossa comuna. Ao longo de suas nove décadas de vida, somou milhares de amigos, não só no município, mas por todos os cantos do estado e fora dele e, inclusive, além das fronteiras nacionais. Afirmava que, se algum desafeto teve, dizia não se lembrar.

Balcino dizia inspirar-se em seu tio Alfredo Wagner, patrono do município, no que tangia a tratar e receber indistintamente todos os tipos de pessoas. Nunca fez acepção de pessoas: pobres, ricos, católicos, luteranos, ateus, pessoas ilustres, anônimas... a todos dispensava tratamento igual, marcado por copiosa cortesia e afabilidade.
Por falar em pessoas ilustres, foi dos poucos alfredenses que não só conheceu a todos os prefeitos que governaram o município, mas cultivou com eles fortes laços de amizade, desde o prefeito Major Pedro Weinhardt Borges, nomeado em 1961, até o atual, Naudir Antônio Schmitz. Sobre cada um deles, tinha interessantes histórias a narrar. Era, por essas e outras relevantes informações que continha, um valioso arquivo vivo, sobre os mais diversos aspectos da história do Município.
Chegou aqui em 1939, solteiro, contando 19 anos de idade.
Nasceu em Anitápolis, em 20 de outubro de 1919. Era o filho caçula dos luteranos José Henrique Wagner e Landolina Isabella Luísa Schlichting Wagner. Quando o interpelávamos sobre sua infância e juventude, sempre bem humorado afirmava que sua mãe dizia que ele 
era o filho mais bonito que ela tinha. Depois completava: “Eu era o único filho homem dela!” – e dava uma gostosa gargalhada. De fato, acima dele, havia cinco irmãs: Maria Emília Wagner Krautz, Benilde Wagner Torres, Matilde Wagner Probst – a D. Lula, ainda viva, com 105 anos; Eulália Adélia Wagner Lückmann, a D. Lala; Dília Verônica Wagner Haveroth, que vive com 98 anos e Balcino Matias Wagner, que faleceu ontem aos 93 anos, 7 meses e 23 dias.
Seu pai, José Henrique Wagner, que ficara órfão aos 3 anos, veio para Anitápolis para trabalhar como funcionário público. Tinha a incumbência
de encaminhar as famílias de imigrantes alemães aos lotes cedidos pelo governo estadual na incipiente colônia. Por isso, era conhecido por todas as famílias germânicas que ali se instalaram, mantendo com elas harmoniosa relação. Por seu papel na colonização de Anitápolis, é tido como um dos benfeitores do município. Com o término da imigração, tio Zé Lico, como era chamado, passou a trabalhar como tropeiro. Comprava mercadorias e tropas dos colonos e ia vendê-las nos mais longínquos rincões do estado e até fora dele. Passou a negociar couro 
de antas, que eram caçadas por seu amigo Frederico Andersen. Levava-as, a cavalo, até Caxias do Sul, onde as comerciava numa indústria de curtume pertencente a um italiano chamado Abramo, que se tornou seu amigo. Essas viagens duravam semanas e, assim que atingiu 12 anos, o pequeno Balcino passou a percorrer o longo trajeto com o pai. Nessa época, José Henrique alcançou patrimônio inestimável, sobretudo terras e cabeças de gado. Com o advento dos caminhões, o ofício de tropeiro tornou-se obsoleto. José Henrique não aderiu à era dos caminhões e, por isso, ficou pobre. Cada um dos filhos, ante isso, teve que se virar.
Balcino, contando 17 anos, foi trabalhar em um pedreira em Jacinto Machado, onde permaneceu por um ano. O trabalho era árduo: cortar e carregar pedras de manhã a noite. Lá, onde predominava a colonização italiana, fez muitos amigos e, em pouco tempo, aprendeu com eles o idioma italiano. Adquirindo alguma soma resolveu, como jovem, curtir um pouco a vida. Resolveu vir passar o carnaval no afamado Salão do Seu Talico. Interpelou seu pai, que lhe admoestou: “Filho, nós somos pobres. O pai não tem dinheiro para te arrumar. Só se quiseres vender a tua vaca e, com o dinheiro da venda, ires ao carnaval do Barracão.”. Foi o que Balcino fez. Hospedou-se na casa do cunhado Zeca Torres e, ao longo dos quatro dias do carnaval, consumiu todo o dinheiro da venda da vaca. Financeiramente, o carnaval no Barracão não valeu a pena mas, por outro lado, proporcionou-lhe conhecer aquela que seria a mulher de sua vida: Virgínia d’Aquino – uma bela jovem de 15 anos, bastante discreta e introspectiva. Trocaram olhares, dançaram respeitosamente e, escondidinhos, deram os primeiros beijos e abraços. Selava-se ali o início de uma união que se estenderia por mais de seis décadas!
Balcino gastara suas economias nessa animada festa. Precisava se restabelecer, preparar-se para o futuro. Indicaram-lhe ir trabalhar numa fecularia em Serra do Pitoco, hoje Atalanta. Lá permaneceu por pouco mais de um ano e, como sempre, fez mais uma porção de amizades, que perdurariam por toda a sua longa vida. Juntando algumas economias, regressou ao Barracão, onde reencontrou sua amada. Agora, ela estava dando aula no Alto Caeté. Firmaram o namoro e, em fins de 1943, ou seja, há quase 70 anos, contraíram matrimônio.
Os primeiros anos de vida do novo casal passaram no Caeté, onde Balcino instalou um bar ao lado da morada do amigo Nicolau Scheidt. O convívio com as famílias alemãs reacendeu o idioma de seus pais e, em pouco tempo, estava comunicando-se em alemão com seus clientes. O Caeté, à época, era tradicionalmente palco de desavenças e intrigas. Mas Balcino e Virgínia, com sua índole conciliadora, mantiveram-se alheios aos problemas que surgiam ao seu redor, permanecendo em harmonia com os vizinhos e com a comunidade. Quando deixaram a localidade, transferindo-se para o Barracão, os vizinhos choravam copiosamente, lamentando a saída dos amigos.
Estabeleceram-se em Barracão em meados da década de 1940. Tempos difíceis. Não havia fartura. Tinham que trabalhar incansavelmente e economizar todo o centavo para poder sustentar os filhos que iam nascendo. Estes, desde pequenos, foram instigados ao trabalho. Os primogênitos Edgar e Mazinho, bem cedinho, antes de irem à aula, pegavam as bicicletinhas e iam distribuir o leite que mãe vendia. Ao voltarem da escola, almoçavam e iam para a roça. Lentamente, com muito trabalho e economia, os Wagner foram progredindo. Na década de 1950, Balcino instalou uma olaria. Comprou caminhão e, lentamente, foi ampliando os negócios. Incentivou e viabilizou em parte aos filhos primogênitos o trabalho no transporte de mercadorias, com caminhão. Foram eles um dos precursores nessa atividade no município, promovendo significativamente o progresso para a cidade.
Na medida em que ia envelhecendo, Seu Balcino ia gradualmente deixando de seus afazeres, dedicando-se mais à vida social, que tanto prezava desde a mais tenra juventude. Era amigo de ricos, pobres, velhos, jovens, era fonte de pesquisa de crianças, enfim, na medida em que ia alcançando longevidade com perfeita lucidez, foi se tornando um arquivo indispensável a qualquer tipo de pesquisa que se ousasse empreender em Alfredo Wagner. A todos que lhe procuravam, tinha uma história interessante a contar. Recordava-se tanto de fatos pretéritos quanto dos atuais com facilidade incríveis.
Recebe seus incontáveis amigos lhe rendem preitos de reconhecimento e gratidão, muitos dos quais emocionados por terem que dar o último adeus a este homem que parecia-nos eterno. Dou exemplo por mim: meu bisavô era seu tio e amigo; meu avô foi seu amigo por décadas; meu pai também e, por fim, eu, tive a felicidade de manter laços intensos de amizades com esse inesquecível senhor. Assim ocorreu com tantas pessoas! Balcino foi amigo de tantas gerações de alfredenses!
Felizmente inúmeras homenagens ele recebeu em vida graças às suas tantas ações em prol do desenvolvimento de nossa cidade. Foi dos primeiros sócios do clube, doou terreno para a escola que, com justiça, leva seu nome, e parte do terreno para a construção do hospital. Homem desprendido e generoso, quando da urbanização da Rua Pe. Cristóvão, orientou o chefe das obras para que alargasse bem a via no trecho em que ela cortava seu terreno. Surpreso, seu Izidoro indagou: “Mas por que tanto, compadre?”. Balcino replicou: “Temos que pensar no futuro, compadre. Hoje são carroças e poucos carros. Daqui uns anos, o trânsito aumentará e faltará espaço.”. Se percebemos, até hoje a Rua Pe. Cristóvão é mais larga no percurso que corta a propriedade de Balcino. Nos demais trechos, os proprietários não consentiram com o alargamento.
Assim viveu Balcino, pensando, sobretudo no coletivo, vivendo humilde e modestamente. Abriu mão muitas vezes de bens materiais mas, em compensação, não abriu mão da generosidade, da benevolência, da paz e do cultivo da amizade com o maior número possível de pessoas com quem conviveu, que hoje se reúnem para louvar sua marcante vida.
Vá com Deus, seu Balcino!

Personalidades: Valdir Mariotti (Dico)

Por Carol Pereira
Data de nascimento: 22 de junho de 1943
Data de falecimento: 02 de julho de 1993

Talvez tenha sido ele o maior herói da recente história de nosso município; deu sua vida corajosamente, tentando salvar pessoas que por conta de uma enchente estavam ilhadas.
Dico era filho de Alibio Mariotti – que veio da Itália - e Maria Schistel Mariotti e nasceu no Morro da Baracatinga, em Alfredo Wagner , no dia 22 de junho  de 1943; era um dos mais novos dos 7 filhos do casal. Sua mãe funcionária pública, teve que trabalhar muito para sustentar a família. Quando o pai morreu, Dico tinha apenas 7 anos de idade.
Quando jovem foi morar e trabalhar com seu irmão Claudino na Santa Bárbara, foi lá que aos 14 anos conheceu Isolete Santos – 13 anos – em uma festa de igreja. Foi paixão à primeira vista. Namoraram por seis anos e então se casaram na igreja do Barracão, tendo como celebrante padre Cristovão Arnold. O casal teve 4 filhos –  Sandra, Luiz, Janice e um natimorto.
Com um grande espírito empreendedor, trabalhou muito para conquistar seu vasto patrimônio. Logo que voltou a morar na praça - centro da cidade - começou a trabalhar como mecânico. Alguns anos depois em sociedade com seu irmão Claudino – a sociedade se chamava Irmãos Mariotti - abriu uma mercearia; enquanto seu irmão trabalhava na mercearia - que se localizava onde hoje se encontra o bar do Helinho – ele  fazia, de caminhão, fretes para o Paraná levando milho e trazendo mercadorias para serem comercializadas na mercearia, em uma dessas viagens sua filha Sandra se escondeu debaixo da lona e só perceberam que a menina estava escondida momentos antes da partida, evitando assim que ela ficasse por cerca de cinco dias desaparecida e seguindo em direção ao Paraná, a história ainda é lembrada pela família e eles se divertem lembrando da serelepe criança. Alguns anos mais tarde passou a ser cerealista – proprietário de máquinas de cebola – além de adquirir grande quantidade de terras onde plantava cebola e criava gado. 
Muitas pessoas dependiam de Dico para viver. Em suas terras que ficavam no Soldadinho e nas Demoras ele empregava cerca de 12 famílias. Homens, mulheres e crianças que tinham adoração por seu patrão, sempre muito generoso. As famílias de arrendeiros fizeram parte do negócio de compra das terras. Os militões – sobrenome Oliveira – como eram chamados, foram alguns dos primeiros moradores daquela região. Descendentes de escravos, teriam vindo ali parar depois de terem abandonado a construção da estrada de pedra da Barra Velha, na qual trabalhavam tendo que puxar as pedras. Além dessas famílias também dependiam de Dico as famílias dos caminhoneiros que trabalhavam com a frota de caminhões que tinha em parceria com seu irmão. 


Sempre foi um homem muito religioso e ativo neste meio. Foi inúmeras vezes festeiro em festas das comunidades do interior e também aqui no centro. Se empenhou para a construção da igreja do Soldadinho e na construção da nossa Matriz. Usava seu caminhão para puxar areia e os outros materiais utilizados na construção. Foi ele quem, em seu caminhão, trouxe a enorme cruz que hoje se encontra no altar da igreja Matriz. É lembrado por sempre oferecer generosas prendas nas festas da matriz e também persuadir pessoas de fora que com ele mantinham negócios a também oferecerem prendas generosas em nossas festas.
Na política foi vereador por duas vezes, uma na gestão de 1983 até 1988 e novamente na gestão de 1992 até 1996 – não chegando a completá-la. Dico também disputou as eleições para prefeito do ano de 1976, tendo como vice Lauro Schweitzer, mas acabaram não se elegendo. 


Dico tinha como hobby pescar e caçar. Sempre ia com sua esposa para o Pantanal ou para o Rio Grande do Sul onde passava dias pescando, flutuando calmamente sobre as águas com seu barco. No dia 01 de Julho foi para Florianópolis para fazer algumas compras e se preparar para a viagem que faria no dia seguinte. Ele, acompanhado por sua esposa, iria para o Rio Grande em uma pescaria. Entre outras coisas comprou um motor novo para seu barco. Ao chegar em casa não demorou muito para começar a chover incessantemente, e assim se fez durante toda a noite. No dia seguinte à Beira Rio já amanheceu lotada por pessoas preocupadas, era inevitável, o rio inundaria a cidade. Todo o centro da cidade e bairros próximos ficaram debaixo d’agua. O rio levava árvores, pontes de concretos, casas inteiras... a fúria das águas era imensa. Algumas pessoas haviam ficado ilhadas no Barracão de dentro e amigos de Dico sabendo que ele tinha um barco e poderia – e gostaria – de ajudar ligaram para ele. Assim que soube que um grande amigo estaria entre essas pessoas, apesar dos pedidos de família e de amigos, subiu em seu barco e foi salva-lo. Junto dele no barco estavam dois policiais. Devido a turbulência das águas os três se desequilibraram e os policias caíram, Dico conseguiu permanecer no barco até que metros adiante ele virou.  Essa cena foi assistida por dezenas de pessoas que de cima da ponte do Rio Adaga acompanhavam o ato corajoso.
O corpo de Dico jamais foi encontrado.  Durante 11 dias os bombeiros realizaram buscas; depois disto seus empregados e conhecidos continuaram nesta empreitada mas pouco a pouco as esperanças de encontrá-lo com vida foram morrendo. Perto do local onde ele foi visto pela última vez foi construído um memorial, onde a família tentando diminuir a dor o homenageia.
 A cidade de Alfredo Wagner após a enchente além de estar em luto pela morte de Dico, que era uma figura ilustre da cidade e conhecido por todos, ainda tinha dezenas de desabrigados, que tiveram suas casas levadas pelas águas. Um loteamento foi construído para que essas famílias pudessem construir novas casas, em um lugar seguro, livre de enchentes. A esse loteamento foi dado o nome de Valdir Mariotti, homenageando assim o homem que deu a vida tentando ajudar as vítimas da enchente.

Informações transmitidas por:
Isolete Santos Mariotti
Sandra Regina Mariotti