quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Conhecendo Romero Britto

Obra de Romero Britto
Romero Britto é um artista brasileiro internacionalmente conhecido como o artista "Pop-Brasileiro". Suas obras são alegres e coloridas. Atualmente ele mora nos Estados Unidos.

Os alunos dos 5º anos da Escola de Educação Básica Silva Jardim pintaram telas observando suas obras, usando textura gráfica, cenas do dia-a-dia, usando linhas, pontos e com o uso de cores vivas, tudo sob a orientação do professor Jorge Luís Kuntze nas aulas de Artes. 












segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Móbiles - Alexandre Calder

O móbile é um objeto decorativo que fica suspenso no ara, preso por um fio. O movimento causado pelo ar cria nos móbiles efeitos especiais de foma e até de luz e sombra.
O criador do móbile foi o americano Alexandre Calder, fabricando suas engenhocas, como um lazer criou o móbile e o stabile, que é um móbile com uma base fixa.
Móbiles Alexandre Calder


Nestes trabalhos os alunos dos sextos anos criaram seus próprios móbiles com materiais alternativos.
Professor: Jorge Luís Kuntze
Disciplina: Artes





quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Viagem de Estudo São Francisco do Sul

No dia 25 de julho os alunos do Ensino Médio Inovador viajaram até a cidade histórica de São Francisco do Sul, onde puderam mergulhar na história local, bem como conhecer o meio ambiente e algumas das principais fontes de renda da cidade.
São Francisco do Sul com 500 anos de História, que marca suas ruas, casas, igrejas, sambaquis, ruelas e becos é formada por importante e conhecido patrimônio histórico, como a igreja Matriz Nossa Senhora da Graça, de 1699, construída por escravos, e pelo povo do lugar, com argamassa feita de uma mistura de cal, concha, areia e óleo de baleia. No interior da igreja está a imagem da padroeira, que data 1553 e foi deixada ali pelos espanhóis, que ergueram uma capela em homenagem a ela depois de serem salvos de um temporal. Também há estatuas barrocas dos séculos XVII e XVIII e um órgão trazido do Rio de Janeiro em 1823 e que utilizado até hoje. Há também no Museu Histórico, o Museu Nacional do Mar, que abriga exemplares e réplicas regionais de embarcações do litoral brasileiro, além de instrumentos, documentos, aparelhos de orientação naval, equipamentos, mapas, miniaturas, cenários. E. ainda o Mercado Público Municipal e o Forte Marechal Luz.
Nossa primeira parada foi o Museu Histórico que abriga um acervo preservado e que nos conta um pouco da evolução da cidade. Antigamente o museu abrigava um presido e os alunos foram convidados a entrar em uma das celas, que mais se parecia com as masmorras de filmes, ela foi usada pela última vez na época da ditadura, detendo presos políticos. Conta-se que naquela época em tempos de maré cheia o prisioneiro tinha que ir subindo conforme a subida da maré, pois a água do mar inundava a cela e quase matava os detentos por afogamento. O guia do Museu nos contou muitas histórias, com a riqueza de detalhes de quem viveu uma vida inteira naquela cidade e trabalhou boa parte dela no museu. Uma das histórias que mais chamou a atenção dos alunos foi a do Ferrinho, segundo o nosso guia do Museu ele foi a única pessoa que conseguiu fugir do presidio e por duas vezes.


Após o Museu Histórico seguimos para o Museu Nacional do Mar, fizemos o trajeto a pé e assim pudemos contemplar o beleza do centro histórico da cidade, andando as margens da Baía da Babitonga. Aprendemos que a fonte do centro se chama Carioca e descobrimos o porquê. Ao chegarmos ao museu do mar fomos recepcionados por um casal de trovadores que por meio de suas trovas nos contaram um pouco da história das grandes navegações e de seus grandes navegadores. O museu do mar encantou a todos, com suas miniaturas e barcos praticamente em tamanho natural. Para fechar o tour mergulhamos no folclore do litoral catarinense, habitado por bruxas, assombrações e lendas. Assistimos a encenação de um dos contos de Franklin Cascaes, onde uma bruxa contava uma das tantas peças que os antigos moradores do nosso litoral acreditam que elas pregavam contra os pescadores. “Remem suas éguas, pois a cada remada é uma légua alcançada” ...

Seguimos direto do Museu do Mar até o restaurante no qual almoçamos, que fica perto do mercado municipal de São Francisco. Após o almoço seguimos de Balsa até a Vila da Glória.
A Vila da Glória é um mundo á parte da Ilha de São Francisco. Parte integrante da área continental do município, localizada no Distrito do Saí, esta pacata comunidade fica a 03 milhas náuticas do Centro Histórico da Ilha de São Francisco, tendo seu acesso por mar via Ferryboat. Durante nossa travessia pela Baia pudemos assistir a um balé de golfinhos que encantaram a todos com suas acrobacias. O frio estava cortante, mas nem ele conseguiu diminuir a euforia de nossos alunos a bordo do Ferryboat.
Ao chegarmos até a Vila seguimos direto para o CEPA – Centro de Estudo e Pesquisa Ambiental, que faz parte da Univille, Lá fizemos um passeio por dentro da mata e o guia ia nos falando sobre as espécies encontradas, os biomas, o porquê da Baía ser considerada um estuário... o professor Reginaldo acompanhava o guia e fazia interlocuções fazendo com que os assuntos abordados pelo guia fizessem sentido dentro dos temas trabalhados em sala de aula. Após sairmos do CEPA fizemos uma breve parada no centro da vila da Glória e retornamos para Alfredo Wagner. 

Vídeos criados pelos alunos após a viagem:


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Personalidade: José de Campos


Por: Eloisa Helena Wagner Sequinel e filhos

Data de Nascimento: 31 de março de 1938
Data de Falecimento: 1 de setembro de 2005


Compartilhar aqui a história, fatos da vida de João Sequinel Neto muito me orgulham, faz-me remeter ao passado, pois, são momentos especiais e inesquecíveis vividos intensamente. Foi um casamento de 38 anos de muita cumplicidade, respeito, admiração, e a prova deste amor foram os filhos queridos e amados que tivemos. Fez lembrar-me também de como nos conhecemos, pois naquela época eu era estudante e ele um jogador de futebol muito respeitado e admirado por todos; nessa época uma garota namorar um jogador não era algo visto com “bons olhos”. Foi amor à primeira vista, nos conhecemos quando andávamos na rua quinze, cidade de Blumenau SC. Trocamos olhares e desde então, só nos víamos quando passávamos pelo outro. João confessou-me depois que na época: “se essa menina olhar para trás não é boa coisa, e se ficar só no olhar frente a frente, quando um passar pelo outro, essa é para casar”. Dito e feito!  Contive-me apesar de meu coração disparar, fiz-me de difícil e conquistei então o coração do meu futuro marido. Contudo, ainda não sabia que Joca era jogador de futebol: fui saber disso dias depois e detalhe: eu torcia pelo time adversário, o Palmeiras de Blumenau: porém meu coração falou mais alto.
Naquele tempo, era necessário o consentimento dos pais para aprovar o namoro.
Certo dia, Olívio Leandro Wagner, meu pai, fez uma viagem até Blumenau para visitar-me; Aproveitou a oportunidade e pediu para conhecer e conversar com Joca e em uma só conversa encantou-se pelo seu caráter, dizendo-me então: “esse é um moço muito sério minha filha”.

 Aos 31 dias do mês de março de 1938, nascia na cidade de Curitiba, João Sequinel Neto, filho de Antônio Sequinel e Izabel Favorito Sequinel. Lutou desde cedo para alcançar seu maior sonho; ser jogador profissional de futebol. Em 1952, aos 14 anos de idade “Joca”, como era popularmente conhecido, iniciou sua carreira futebolística nas categorias de base do Coritiba Futebol Clube. Foi campeão estadual na categoria juvenil em 1957 e bicampeão na categoria aspirante em 1957 e 1958. Joca era conhecido como o “canhão da baixada” devido ao forte chute.
Em 1959 foi promovido para o time principal e estreou como titular fazendo 2 gols, o que culminou no empate em 4x4 contra o Guarani de Ponta Grossa, sendo campeão naquele ano. Nesse mesmo ano, ele marcou 7 gols, e foi o artilheiro do campeonato fazendo parte do bi e do tri no Campeonato Paranaense 1960 e 1961. O jogador defendeu a gloriosa camisa alviverdecomo meia atacante entre os anos de 52 e 62.
Em 1964, fez parte do time que jogava um futebol de “encher os olhos”, o inesquecível, “esquadrão da vitória” – O Grêmio Esporte Olímpico dos anos 60 era realmente um rolo compressor, sendo campeão Estadual daquele ano em 1964. Prestou serviço como atleta profissional no Grêmio Esporte Olímpico de Blumenau entre os anos de 1963 e 1967, passando pelo Barroso de Itajaí no ano de 1968. Encerrou sua carreira no Figueirense Futebol Clube em 1971.
Em 1966, quando jogava no Esporte Olímpico conheceu a estudante normalista Eloisa Helena Wagner, natural de Alfredo Wagner sua futura esposa. Desde suas primeiras visitas a cidade natal da namorada já foi cativada com seu futebol.
Participava quando possível, de jogos em várias localidades do município e fora dele. Ajudou na implantação do estádio de futebol do município, na localidade do Caeté. No jogo inaugural em 1971, contra o time de Urubici, Joca marcou 2 gols, acabando no empate de 2x2.
Fixou residência em Alfredo Wagner ao casar-se em 1968. Quando deixou o futebol profissional. Trabalhou então na Farmácia Dr. Beto, de seu cunhado Norberto Wagner (1972 a 1974).  No ano seguinte, prestou concurso para ingressar no BESC, onde trabalhou de 1975 a 1995, quando se aposentou. Devido ao grande contato com as pessoas e em função de seu trabalho, tornou-se muito conhecido e cultivou muitas e boas amizades.
Joca faleceu em 1° de setembro de 2005 aos 67 anos, deixando sua esposa Eloísa, os filhos Fernando, Fabiano e Fabíola, seu genro Rodrigo Neto da Silva, suas noras Andréia Regina Wagner Sequinel e Julia de Azevedo Subtil Sequinel e os netos Luiz Henrique, Eduardo, João Vitor, Gabriel e Miguel.
Com este breve histórico de sua vida e sua carreira, e os bons exemplos deixados tanto para família que amava e nos círculos de amizades que mantinha; nada mais justo que, homenagear um amante Desportista nomeando-o com um ginásio de esportes, como ocorreu em março de 2006, no Colégio Silva Jardim do município de Alfredo Wagner.
Portanto, o destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha escreve sua história, constrói seus próprios caminhos e foi isso que Joca fez vivendo intensamente sua grande paixão: o Futebol.
O exemplo de João Sequinel Neto dever ser perpetuado e que sirva como referência e exemplo para as novas gerações que desejam seguir a tão sonhada carreira de Atleta. Que estes jovens saibam que nesta cidade viveu, e em nossa memória vive um homem que lutou e venceu os desafios.


História do campeonato de 1964 acesse link: http://geolimpico.com.br/portal/?p=707

Personalidade: José de Campos

Por: Carol Pereira
        Giovana Truppel
        Celita Irene Campos Angeloni

Data de nascimento: 23 de setembro de 1918.
Data de falecimento: 26 de agosto de 2006.

José de Campos amou a cidade de Alfredo Wagner-SC como um pai ama seu filho.
Homem honesto, empreendedor e, acima de tudo, com o olhar voltado para o futuro, foi por isso um visionário. Foi o maior benfeitor da nossa cidade. Entre suas ações, idealizou e foi o responsável pelo projeto de urbanização das ruas centrais tais como são hoje, e pela doação de inúmeros terrenos em área nobre da cidade.
José de Campos, também conhecido como “Seu Zé Campo”, filho de João Alexandre de Campos e Benta Emília Vieira de Campos, nasceu no dia 23 de setembro de 1918 em uma pequena comunidade agrícola, chamada Canto do Rio Gaspar, no interior de Vargem Grande, hoje distrito de Águas Mornas-SC. Nessa comunidade, ele passou sua infância e adolescência, frequentando a igreja e a catequese com devoção.
Na escola, por ser um garoto muito interessado e inteligente, conseguiu concluir todo o curso primário em apenas um ano. Como a vida era difícil, foi preciso que José parasse de frequentar a escola para ajudar os pais no serviço diário da roça. Mas, apesar de todas as dificuldades, não deixou de estudar. E, com a ajuda das três tias religiosas, irmãs de seu pai, ele conseguiu, através de correspondências que ele enviava a elas, completar os estudos do ginásio (correspondentes aos da 5ª a 8ª séries).
Foi também nessa comunidade que José frequentou suas primeiras festas e teve  namoradas. Como era de costume, o namoro da época era associado ao tempo e ao espaço: poucos domingos (de um a três domingos para decidir se o namoro era sério) e o caminho percorrido até a casa da namorada. Foi assim até que José conheceu Maria Zita Kuhnen, com quem se casou em 26 de junho de 1943. O casal morou com os pais de José por alguns meses. Em 1944, José foi à procura de um local adequado para a instalação de uma casa comercial que estivesse dentro do seu orçamento.
Estabeleceu-se, então, em Alfredo Wagner, em fevereiro de 1944, alugando de um morador o ponto comercial que desejava; e de outro, comprou o estoque de um comércio. Essa negociação custou caro, levando mais de três anos de trabalho: vendendo tecidos, ferragens e alimentos.  Trabalhou muito, junto com sua esposa, inclusive aos domingos, até que conseguiu pagar os empréstimos que fez para pagar o ponto, o estoque da loja e a aquisição de sua primeira casa. Essa casa (antiga pousada) ficava na Rua do Comércio, a principal da cidade, servia para sua residência e também para o ponto comercial, em cuja fachada havia a placa: “Casa Comercial José de Campos”.
Daquele momento em diante, os seus negócios começaram a prosperar e, no ano de 1953, José realizou outro bom negócio: trocou seu estabelecimento comercial e moradia por um caminhão e uma casa com grande extensão de terra próximo ao rio Caeté - com pasto, pomar, área para cultivar hortaliças e criar animais- aproximadamente 100.000 m², hoje centro da cidade.

    Acreditando no desenvolvimento de Alfredo Wagner, e demonstrando amor pela terra que escolheu para viver, ele idealizou o traçado das principais ruas e fez o loteamento de sua imensa propriedade em 116 lotes urbanos.
Na área mais importante de suas terras, fez doação de terrenos para: a construção do Colégio Silva Jardim, a Praça, a construção do Clube Social “Sociedade Recreativa União Clube” e as ruas - Rua Anitápolis, Rua Hercílio Luz, Rua Joé de Anchieta, Rua Arthêmio Rosa Farias, Rua Rui Barbosa, Rua 25 de Maio, Rua São João, Rua Florêncio Abreu e Rua Major Pedro Borges (ao todo, nove ruas).
Também indenizou em dinheiro, ou em troca de terrenos, aos proprietários cujos terrenos ou casas localizavam-se sobre o traçado das ruas. Foram indenizados: Jorge Fernandes, Pedro Quintino, João Aleixo, Quintino da Rosa (conforme suas memórias manuscritas, com as fac-símiles em  ANGELONI , 2007, p.145 e 146).
José também participou da equipe que idealizou e planejou essas construções; porém, as ruas ele realizou tudo sozinho (planejou, contratou topógrafo, contratou maquinista, contratou caçambas com macadame). Doou à cidade as ruas prontas para o trânsito.
Morando ainda próximo ao rio, começou a planejar e a construir a casa dos seus sonhos, na parte mais central das suas terras. Na segunda metade do ano de 1958, realizou a mudança para o sobrado com sua família. As linhas retas do sobrado marcavam o estilo moderno, prático e arrojado que, com localização privilegiada, passou a ser uma atração local, (a primeira com energia elétrica, com banheira e vaso sanitário). A família morou na casa por cerca de dez anos. A prefeitura municipal comprou a casa no ano de 1968. A construção existe até hoje e é usada atualmente como sede da Secretaria da Agricultura do município.
Nesta época, José também era dono do cinema da cidade. O cine Marajó ficava na Rua Hercílio Luz – onde hoje se localiza a igreja evangélica – e era um dos principais pontos de lazer para a comunidade. Foi ali que muitos namoros começaram. Além de exibir filmes, José também alugava o local para festas e confraternizações.
Morou em Alfredo Wagner durante trinta anos, com muita dedicação ao comércio local, à comunidade e às pessoas carentes. Aos pedintes, era rotina doar comidas, roupas e calçados. Todos os dias José e Maria Zita reservavam parte da refeição e uma sacada de frutas do pomar para distribuir aos necessitados. Eram pessoas do Caeté, da beira do rio, ciganos, andarilhos. Mais tarde, depois de aposentados, o casal passou a destinar parte do salário para a compra de dez cestas básicas mensais distribuídas entre os mais pobres da comunidade.
 José exerceu por vários anos a função de juiz de paz, a qual consistia em dar assistência às pessoas, conciliando-as diante dos conflitos existenciais. Ao saber de alguém com problema emocional, como depressão ou desânimo, José ia conversar incentivando a pessoa a enxergar a solução, a ver o seu problema do ponto de vista mais racional. Com isso, diminuía o sofrimento daquela pessoa que passava a ajudar-se, contornando a situação com relativa brevidade.
Com o tempo, essa prática foi-se incorporando aos costumes da cidade. E, de vez em quando, José era chamado a orientar quem dele precisasse. Atendeu José não só brigas de casais, mas de pais e filhos, de empregados e patrões, de vizinhos, de jovens, de namorados. E foram diversos casos: vinganças, brigas, tentativas de suicídio, ameaças, calúnias, a dor de perder um ente querido, namoradas grávidas abandonadas pelo namorado, entre outros. Interessava-se. Indagava os motivos de cada lado. “O namorado abandonou a moça  grávida? Onde ele está? Por que não quer mais a namorada?” José queria saber. Queria ajudar. Ia atrás do moço, às vezes até em outra cidade. Encontrava o namorado. Conversava. Convencia a respeito da responsabilidade para com o futuro das duas pessoas: a jovem e a criança que estava para nascer. Dizia que tinha que honrar o compromisso de ter iniciado uma família. A criança que estava para nascer precisava ter o pai ao seu lado.  E José conseguia.
Traçando objetivos cristãos, conseguia ser ouvido. Com bondade, com jeito, com carinho pelo ser humano, como quem só estivesse conversando. José convencia. Era uma figura que inspirava confiança.
José valorizava muito especialmente os estudos. E por valorizar os estudos, José incentivava sempre os filhos a gostarem. Considerava o caminho mais acertado para a garantia de uma vida melhor. Com os filhos estudados, percebia-se em José e Maria Zita, uma grande alegria por terem realizado esse sonho. José costumava dizer: ”Os estudos são a melhor herança”. Seus filhos se formaram em Odontologia, Letras, Pedagogia, Administração, Enfermagem. José preocupava-se com a falta de estudos de ensino médio na cidade. E, por isso, muitas vezes, procurava os pais desses jovens para incentivá-los a deixar os filhos estudarem fora da cidade. E até hoje pessoas reconhecem que tiveram a continuação dos estudos graças à motivação dada por José de Campos, que não tinha os olhos voltados só para a sua família, mas para os outros também. Por tudo isso pode-se dizer que expressam principalmente seus valores: o amor à família, o amor ao trabalho, o  amor ao próximo, e  em especial o amor aos pobres.       
Disposição era o que não lhe faltava nas áreas: política, pessoal e social.
Na área política, foi presidente do diretório da UDN do distrito de Catuíra, vereador, presidente da ARENA, duas vezes candidato à prefeitura ( sem sucesso).Participou da equipe que idealizou e planejou as construções importantes da cidade: Colégio Silva Jardim, Clube União, Casa Paroquial, Igreja, Hospital, Usina de Energia Elétrica. Junto dessa equipe também batalhou para a instalação de Paróquia da Igreja Católica e a elevação da Vila a Distrito e, por fim, a Município.
Na área pessoal, teve várias profissões: foi agricultor, boleeiro de carruagem, barbeiro, fotógrafo, pintor de paredes, transportador, dentista prático e protético, corretor de imóveis, farmacêutico e comerciante. Realizou-se em muitas áreas, sendo um empreendedor por vocação.
Na área social, durante sua trajetória, José teve suas ações sempre voltadas para o bem do próximo. Praticava a caridade diariamente com os menos favorecidos, fornecendo-lhes roupas, alimentos, remédios, e outras diversas ajudas, conforme a necessidade, fazendo inclusive doações de terras às pessoas carentes. Incentivava a todos o valor dos estudos. Muitos se admiravam dos seus esforços para os estudos dos filhos e dos incentivos para os outros jovens da cidade. A caridade, a bondade, a honestidade e a sabedoria foram as suas maiores qualidades. Participou da organização social da cidade, sendo ora Presidente da Sociedade União Clube, ora Presidente do time de futebol, o Sociedade Esportiva União Futebol Clube, ora fazendo parte como conselheiro da administração do Hospital e Maternidade, ora servindo de Juiz de paz.
 Era simples, mas de personalidade forte. Lia muito e estava sempre bem informado: um homem sábio, apesar do pouco estudo. Ele esforçava-se para saber além do que aprendeu na escola, quer pela leitura de jornais, revistas, e livros; quer pelo rádio e televisão.
Mesmo tendo passado por grandes dificuldades financeiras, José não perdeu a fé. Continuou firme em sua devoção católica, esperançoso de dias melhores. O que de fato conseguiu, por crer na benção de Deus, e por ser homem de pensar positivo. Pessoa de fé, testemunhou com ações, durante toda a vida, o seu amor a Deus e ao próximo. Tanto a família, quanto os que o conheceram , reconhecem nele um líder comunitário.       
Depois do golpe militar de 1964, houve uma crise econômica no país. E José, como dependia do comércio, sentiu grandes dificuldades. Começou a fazer empréstimos e, com os juros altos, foi enredando-se, complicando-se com dívidas  e inflação. O estoque ficou parado e as contas vinham para serem pagas. Também aconteceu de vender fiado, porque acreditava nas pessoas, via nelas o que via em si mesmo, não via maldade, não sabia dizer “Não”. Pediu concordata em 1967, levando dois penosos anos para pagar a todos . E ao grande  amigo Adelino Luckmann, seu maior credor, conseguiu saldar a dívida no decorrer de três anos adiante.
José criou até mesmo um estilo próprio: o costume de usar óculos escuros em lugares ao ar livre, um pequeno detalhe que o diferenciava da maioria.
Em 20 de fevereiro de 1974, mudou-se para a cidade vizinha, Bom Retiro - SC, por problemas políticos e financeiros.   Perdeu tudo. Recomeçou em Bom Retiro. Nessa nova terra, sentia a saudade do querido “Barracão”. E, sempre que podia, vinha dar um passeio em Alfredo Wagner-SC. Ficava feliz, e até emocionado! Podia-se perceber nele um amor muito grande pela cidade onde viveu os melhores anos de sua vida.
José obteve na cidade que o acolheu as condições necessárias para refazer sua vida. Solidificou-se de novo no comércio, reergueu-se, construiu nova morada. Suas virtudes e suas boas ações foram-se somando no decorrer de toda a sua vida, formando uma estrutura sólida, capaz de ajudá-lo nos reveses da vida, dando-lhe confiança para a superação dos problemas.
 Foi em Bom Retiro - SC que José passou por um enorme sofrimento, pois  perdeu seu grande amor: Maria Zita, mãe de seus dez filhos, em 19 de novembro de 1989, vítima de enfarte.
Depois de algum tempo, decidiu casar novamente, pois sentia o peso da solidão. Diante disso, os filhos aceitaram a decisão do pai, e ele se casou no dia 21 de setembro de 1991, com Maria Dolores Martendal. Os dois passaram a morar em Bom Retiro, por aproximadamente sete anos. Como a nova esposa não se adaptou às baixas temperaturas da região, mudaram-se para Santo Amaro da Imperatriz-SC.
José morou em Águas Mornas-SC ( Vargem  Grande) por vinte e cinco anos; em Alfredo Wagner-SC por trinta anos;  em Bom Retiro-SC por vinte e três anos; e em Santo Amaro da Imperatriz-SC por quase nove anos.
Estando acometido por uma pneumonia dupla e enfisema pulmonar crônico, José de Campos faleceu às vinte e uma horas e vinte minutos do dia 26 de agosto de 2006, aos 88 anos de idade, no SOS-Cárdio, em Florianópolis.
O legado pessoal que José de Campos deixou impresso mais profundamente foi a prática da caridade. Percebia-se que mesmo passando por dificuldades financeiras, ainda dava de si com generosidade e, por isso, foi um homem abençoado que deixou preciosas lições. Sabia realizar sua caridade de modo natural e espontâneo, não esperando nada em troca.
Além de contribuições à sociedade alfredense, deixou, também, admiração pelos exemplos de honestidade e de generosidade. José de Campos viveu com dignidade, combateu o bom combate, sendo um guerreiro diante dos sofrimentos advindos principalmente da política e das dificuldades financeiras. Enfrentou humilhações e incompreensões sem desanimar, porque era um homem de fé e sua força estava em Deus.
José de Campos foi um homem à frente do seu tempo, tanto nas ideias, quanto nas ações de progresso. José de Campos foi um farol a iluminar o futuro da cidade de Alfredo Wagner.
Biografia baseada na obra: Angeloni, Celita Irene Campos. José de Campos – Uma história para           Contar. Florianópolis: Ed. Secco, 2007.              
            

"José de Campos foi um farol...."

"Valeu a pena?
Tudo vale a pena,
Se a alma não é pequena."
(Fernando pessoa)